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MP | Mizael Pardinho

Minha trajetória.

Uma história de oportunidades, desafios, aprendizado e transformação. Do meu primeiro “Olá mundo” ao compromisso de compartilhar conhecimento e ampliar oportunidades.

Conheça minha história
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CAPÍTULO 01

As primeiras lições vieram de casa

Nasci em uma família humilde, cercado por pessoas que conheciam de perto o valor do trabalho. Meu pai era mestre de obras e havia estudado até a antiga 8ª série. Minha mãe era costureira e havia estudado até a 6ª série. Os dois trabalharam muito e fizeram sacrifícios para que seus filhos tivessem oportunidades que eles próprios não tiveram.

Estudei em escola pública. Dentro de casa, a educação nunca foi tratada como algo secundário: era uma prioridade. Meus pais sabiam que o estudo poderia abrir caminhos, mesmo quando os recursos financeiros eram limitados.

Uma frase que ouvi na infância ficou gravada na minha memória:

“Esporte não dá futuro, você tem que estudar.”

Sempre gostei de futebol. Cheguei a ser goleiro em alguns times de pelada, mas nunca tive a pretensão de me profissionalizar no esporte. Por isso, não interpreto aquela orientação como um sonho esportivo que me foi negado. Era a maneira que meus pais encontravam de insistir na importância dos estudos.

Hoje, concordo com a essência do conselho, mas faço uma ressalva: o esporte pode, sim, proporcionar uma carreira e um futuro. Ainda assim, um atleta precisa aprender a lidar com contratos, dinheiro e decisões que vão muito além do campo. Isso vale para qualquer profissão.

Seja o que você quiser ser. Mas nunca deixe de estudar.

Foi em casa que aprendi uma das lições mais duradouras da minha vida: oportunidades importam, mas precisamos estar preparados para aproveitá-las.

CAPÍTULO 02

Uma bolsa, um gesto de generosidade e três linhas de código

Nunca tive muita sorte em sorteios. Mas, aos 11 anos, aconteceu algo inesperado: ganhei uma bolsa para fazer um curso de informática. Naquela época, ter um computador em casa estava muito distante da nossa realidade. A bolsa era uma oportunidade enorme — mas meus pais não tinham dinheiro para pagar a matrícula.

Foi então que meu tio, José Bráz Segundo, meu querido tio Bráz, pagou a inscrição. Um gesto simples de generosidade, talvez, para quem o praticou. Para mim, foi a diferença entre deixar passar uma oportunidade e descobrir o caminho que seguiria por toda a vida.

Mais de 40 anos depois, ainda consigo me lembrar do primeiro computador que vi: um Sysdata JR. Parecia uma caixa com teclado de máquina de escrever e uma tela semelhante a uma televisão. Ele tinha BASIC residente, e foi nele que escrevi meu primeiro programa:

Sysdata JR · BASIC
10 CLS
                    20 PRINT "Olá mundo"
                    30 END
Olá mundo

Quando executei aquelas três linhas, a tela se limpou e surgiu, em letras verdes, a mensagem que eu mesmo havia mandado escrever: Olá mundo. Era o meu primeiro programa funcionando. A emoção foi tão grande que parecia que minha cabeça ia explodir.

Foi amor à primeira execução. A partir daquele instante, nunca mais consegui ficar longe dos computadores.

Meus pais me ensinaram a valorizar os estudos. Meu tio Bráz tornou aquela oportunidade possível. E a tecnologia abriu diante de mim um universo inteiro de possibilidades.

CAPÍTULO 03

A sede de aprender

Depois do primeiro curso, não parei mais de estudar. Fiz outros cursos, estudei Processamento de Dados e consegui uma oportunidade de estágio. Foi ali que aprendi COBOL e conheci o universo Unix.

A cada descoberta, minha curiosidade aumentava. Aprender uma linguagem ou dominar uma ferramenta nunca parecia suficiente: eu queria entender como tudo funcionava, por que funcionava e o que mais seria possível construir.

Tornei-me autodidata. Em uma área que mudava rapidamente, estudar por conta própria deixou de ser apenas um interesse e passou a fazer parte da minha rotina.

Também servi à Aeronáutica. Naquele período, os conhecimentos de informática que eu já havia adquirido se mostraram muito úteis.

A tecnologia mudava. Eu continuava aprendendo. E essa disposição para aprender me acompanharia em cada nova fase.

CAPÍTULO 04

Aos 24 anos, três sonhos realizados

Certa vez, disse a dois amigos que tinha três sonhos profissionais para realizar antes dos 30 anos: trabalhar de terno e gravata, viajar de avião e ser sócio de uma empresa.

Aos 24 anos, eu já havia realizado os três.

Mas a frase, sozinha, não conta o que aconteceu entre o desejo e a conquista. Foram muitas noites sem dormir, jornadas exaustivas, prazos quase impossíveis e uma dedicação que exigia sacrifícios.

Comecei a trabalhar com multimídia em uma época em que os softwares eram caros, os computadores eram importados e o suporte técnico era escasso. Era preciso estudar, testar, descobrir caminhos e resolver problemas com os recursos disponíveis.

Com o tempo, tornei-me uma referência técnica na empresa, que era parceira da IBM. Passei a viajar por diferentes regiões do Brasil implantando sistemas em grandes organizações. Também participei de feiras de informática, como a Condex, apresentando tecnologias que começavam a chegar ao mercado.

Quando me tornei sócio, descobri um novo conjunto de responsabilidades. Já não bastava compreender sistemas. Era necessário liderar pessoas, conversar com clientes, negociar, vender, tomar decisões e assumir as consequências delas.

O conhecimento técnico abriu portas. Empreender me ensinou que construir uma empresa exige aprender muito além da tecnologia.

CAPÍTULO 05

Vinte anos de pioneirismo na saúde

Depois de encerrar minha participação na primeira sociedade, comecei outra etapa empresarial. Foram exatamente 20 anos trabalhando com tecnologia aplicada à saúde, especialmente na automação de laboratórios médicos e hospitais.

Naquele período, nossa empresa participou de iniciativas pioneiras. Desenvolvemos um portal WAP para consulta de laudos médicos, quando acessar informações pelo celular ainda era uma experiência limitada por telas pequenas, conexões lentas e dispositivos com poucos recursos.

Mais tarde, avançamos para um portal de consulta de laudos no iPhone, também entre as primeiras iniciativas desse tipo. Cada nova plataforma trazia desafios, mas também a possibilidade de aproximar pacientes e profissionais de informações importantes.

Entre os projetos que desenvolvi pessoalmente, um tem lugar especial na minha memória: o portal de emissão de atestados médicos com certificado digital para a Associação Paulista de Medicina (APM). A solução reunia tecnologia, autenticidade e segurança em um processo sensível.

Esses anos me ensinaram que, por trás de cada sistema de saúde, existem pessoas que dependem da informação correta, no momento certo.

Inovar não é apenas usar uma tecnologia nova. É aplicar conhecimento para resolver problemas reais.

CAPÍTULO 06

Tecnologia a serviço da cidadania

Depois de deixar a empresa em que trabalhei por 20 anos, passei a atuar de forma autônoma. Fui contratado para desenvolver uma série de portais para a Prefeitura de Maricá, no Rio de Janeiro.

Foi uma oportunidade de conhecer mais de perto a tecnologia aplicada aos serviços públicos. Ali, o sucesso de uma solução não dependia apenas de sua arquitetura ou desempenho: dependia também de ela ser acessível e útil para quem precisava de atendimento.

Durante a pandemia da COVID-19, disponibilizamos serviços digitais que ajudaram a população a acessar benefícios sociais e serviços municipais sem precisar se deslocar até unidades físicas de atendimento.

Em um momento de incertezas, a digitalização permitiu manter serviços importantes disponíveis. E me fez olhar de outra maneira para cada cadastro, solicitação e processo: por trás deles havia uma pessoa, uma família, uma necessidade concreta.

A tecnologia não deve existir apenas para modernizar processos. Deve facilitar a vida das pessoas.

CAPÍTULO 07

A realidade que transformou meu olhar

Durante quase 18 meses, trabalhei na coordenação da campanha de um candidato a deputado estadual no Rio de Janeiro. Percorri bairros da capital e diversos municípios, conversei com moradores e conheci lideranças comunitárias.

Em algumas comunidades, só foi possível entrar acompanhado por moradores. Vi homens fortemente armados, pontos de venda de drogas e uma rotina marcada pela presença do tráfico. A tensão e o medo que senti contrastavam com a aparente normalidade de quem precisava viver ali todos os dias.

Em outras comunidades, não vi armas nem pontos de venda de drogas. Encontrei, porém, uma pobreza extrema: vielas em que mal passavam duas pessoas lado a lado, lugares sem sinal de celular e ruas tão estreitas que a luz direta do sol só chegava quando ele estava praticamente a pino.

Essas experiências não são a mesma coisa. A pobreza não pode ser confundida com criminalidade. Mas ambas as realidades revelaram, de maneiras diferentes, o quanto ainda falta para que muitas pessoas tenham condições dignas de viver.

Também conheci gente extraordinária: moradores determinados, pessoas que dedicavam tempo e esforço para ajudar os vizinhos e famílias que, apesar das dificuldades, continuavam acreditando na possibilidade de mudança.

Não vencemos a eleição. Houve frustração depois de tanto trabalho, mas aquela caminhada deixou um aprendizado que não cabe no resultado das urnas. Ela ampliou minha compreensão sobre desigualdade, cidadania e responsabilidade social.

Por trás dos números existem pessoas. Por trás das estatísticas existem famílias. E por trás de cada necessidade existe alguém que merece ser ouvido e respeitado.

CAPÍTULO 08

A educação como instrumento de liberdade

Sempre acreditei que a educação e a dedicação pessoal são fundamentais para transformar nossa realidade. Depois das experiências que vivi, essa convicção ficou ainda mais forte.

Quero uma educação que ensine os jovens a ler, compreender, interpretar, questionar e argumentar. Que desenvolva raciocínio lógico, criatividade, autonomia intelectual e capacidade de chegar às próprias conclusões.

“Não quero uma educação que diga ao aluno o que ele deve pensar. Quero uma educação que lhe dê condições de pensar por conta própria.”

A escola precisa ser um espaço de conhecimento, pluralidade e liberdade intelectual. Precisamos enfrentar com seriedade as dificuldades de alfabetização e compreensão de textos, a valorização dos professores e a qualidade real da aprendizagem.

Aprendi cedo que o esforço pessoal faz diferença. Mas também sei que não basta pedir dedicação a quem nunca recebeu uma oportunidade. Minha própria história teria sido diferente sem a bolsa do curso e sem a ajuda do meu tio Bráz.

Não vejo contradição entre valorizar o mérito e defender condições para que mais pessoas possam desenvolver suas capacidades. As duas coisas precisam caminhar juntas.

A educação não deve limitar sonhos. Deve oferecer instrumentos para realizá-los e liberdade para escolher o próprio caminho.

CAPÍTULO 09

O conhecimento que quero multiplicar

Ao longo da vida, tive oportunidades, enfrentei desafios, construí projetos e aprendi com muita gente. Hoje, quero ampliar a forma como compartilho o que aprendi.

Pretendo desenvolver projetos educacionais, apoiar iniciativas sociais e compartilhar gratuitamente conhecimentos e experiências em tecnologia, empreendedorismo, liderança e cidadania. São caminhos que quero construir — não realizações que já estejam prontas.

Não acredito ter todas as respostas. Quero continuar estudando, ouvindo pessoas e aprendendo com realidades diferentes da minha.

Quando eu tinha 11 anos, uma bolsa de estudos abriu uma porta. Meus pais me ensinaram a valorizar o aprendizado. Meu tio Bráz me ajudou a atravessar aquela porta. E muitas outras pessoas contribuíram para o que construí depois.

Hoje, quero contribuir para que outras pessoas também encontrem oportunidades, descubram suas capacidades e construam os próprios caminhos.

O conhecimento que transformou a minha vida pode ajudar a transformar muitas outras.

Conhecimento transforma.

Mizael Pardinho